sábado, 22 de setembro de 2012

Choro – por Renato Roschel – Parte 02

O nascimento do choro e dessa sua fórmula de improvisação é 50 anos anterior ao jazz, no entanto, se constrói da mesma forma que a música negra norte-americana, ou seja, é feito como se fosse um jogo criativo executado com muita habilidade e genialidade.

Portanto, o tão falado improviso jazzístico já existia no Brasil dos tempos do Império. A construção inconfundível do choro é marcada pelo tema, as harmonias e as modulações, que são moldados por um acompanhamento rítmico, armado malandramente para testar o senso polifônico dos músicos e sua capacidade de improvisar em uma construção musical extremamente móvel.

Esses primeiros músicos improvisadores encontravam-se completamente ao acaso e não tinham nenhuma regra para o número de figurantes ou para o tipo de composição instrumental. Por causa desta informalidade o choro é hoje feito com a participação de vários tipos de instrumentos. O que determinava a maneira como cada instrumento iria participar na música se dava em função da destreza do músico que o tocava, ou seja, não importava se fosse uma cavaquinista ou trombonista quem estava solando na música, o que importava era se ele era suficientemente hábil para fazer os solos.

Isso fez com que o bom músico de choro tivesse como condição básica ser também um bom improvisador. No século seguinte, essa música criada por instrumentistas populares cariocas que eram em sua maioria mestiços em processo de ascenção social, revelou, entre outros, grandes artistas como Sátiro Bilhar, Dino e João Pernambuco (três excelentes violonistas); Lula Cavaquinho e Nelson Alves (cavaquinho); Patápio, Pixinguinha e Altamiro Carrilho (mestres da flauta) e Jacó do Bandolim.

Com o advento do cinema mudo com orquestra na sala de espera, da industria fonográfica e do rádio, esses músicos passaram a se profissionalizar e não precisavam mais trabalhar em empregos públicos como os primeiros chorões. Entretanto, havia instrumentistas como Donga que conservaram a atividade extra-musical. Donga era violonista e oficial de justiça.

Hoje, músicos, entre outros, como Paulinho da Viola, Paulo Moura, Isaías, Hamilton de Holanda, Hélio Delmiro, Turíbio Santos e também os conjuntos Época de Ouro, Água da Moringa, Trio Madeira Brasil, Premeditando o Breque, Galo Preto e muitos outros, mantêm em atividade essa manifestação instrumental popular que os grandes centros urbanos do Brasil produziram e produzem.

Aliás, foi induzido por essa música que Villa-Lobos criou uma de suas mais importantes composições, intituladas "Os Choros".

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.